Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais

Comunicação e governança do risco : exemplos de comunidades expostas à contaminação por chumbo no Brasil e Uruguai

Autora: Gabriela Marques Di Giulio
Orientador: Bernardino Ribeiro de Figueiredo
Data de defesa: 16/12/2010
Banca: Bernardino Ribeiro de Figueiredo, Mônica Maria Bastos Paoliello, Sandra de Souza Hacon, Thomas Patrick Dwyer, HerlingGregorio Aguilar Alonzo, Eduardo Marandola Junior

Este trabalho tem o objetivo de contribuir para a fundamentação teórica na qual se apoiam a comunicação e governança do risco, por meio da análise de três casos de contaminação ambiental e humana por chumbo, enfocando a participação dos diferentes grupos sociais na construção social do risco, de modo a subsidiar a regulamentação de práticas institucionais que assegurem a participação pública no enfrentamento/gerenciamento de situações de risco para o ambiente e saúde pública. São analisadas as experiências de Santo Amaro da Purificação (BA), Bauru (SP) e La Teja (Montevidéu, Uruguai). Com este estudo busca-se identificar, compreender e analisar como o problema da contaminação por chumbo alcançou a opinião pública, foi percebido, comunicado e gerenciado nos três casos em foco. A partir da proposta de uma abordagem integrada para lidar com os riscos em situações de áreas contaminadas, entendendo o risco como inegavelmente real e como uma construção social, este trabalho se apoia na discussão sobre a abordagem da amplificação social do risco, comunicação do risco participativa e governança do risco. As hipóteses e os argumentos defendidos neste trabalho são testados e validados a partir de uma pesquisa documental, com acesso às notícias jornalísticas, e pesquisa empírica, com realização de entrevistas com grupos envolvidos nestas situações de risco: comunidade, autoridades/gestores, pesquisadores e jornalistas. Os resultados revelam as principais características dessas situações e as percepções do risco da contaminação, que vão do reconhecimento do perigo (daí decorrendo sentimentos e atitudes relacionadas ao medo e ao enfrentamento) à negação do problema. Os resultados evidenciam que a mídia tem papel relevante na forma como o risco é comunicado e percebido, mostrando, assim, que a perspectiva da amplificação social do risco se aplica nos casos estudados. Quanto à comunicação do risco, as experiências estudadas revelam que os esforços são motivados pela transferência de conhecimento e persuasão do público, embasados no modelo básico da comunicação e do deficit de conhecimento. O enfrentamento/gerenciamento do risco segue a abordagem técnico-científica, que prioriza o conhecimento técnico e legitima a autonomia dos cientistas, considerando pouco os interesses dos afetados. A análise dos resultados permite pensar que o enfrentamento/gerenciamento destas situações demanda ações intra e intersetoriais e abordagens interdisciplinares que incluam comunicação de risco participativa, articulação, cooperação e integração entre os grupos sociais envolvidos

Palavras Chave: Risco Governança Saúde pública Chumbo – Aspectos ambientais