Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais

As novas matas do estado de São Paulo : um estudo multiescalar sob a perspectiva da teoria da transição florestal

Autora: Juliana Sampaio Farinaci
Orientador: Mateus Batistella
Data de defesa: 16/03/2012
Banca: Mateus Batistella, Emilio Federico Moran, Jean Paul Walter Metzger, Leila da Costa Ferreira, Roberto Luiz do Carmo

No Brasil, embora as taxas de desmatamento sejam maiores que as de recuperação da cobertura florestal, é possível que em certas regiões o aumento da cobertura supere o desmatamento, caracterizando uma transição florestal. A Teoria da Transição Florestal busca explicar os processos que levam a essa reversão, relacionando-os fundamentalmente ao desenvolvimento econômico associado à industrialização, à urbanização e à intensificação do uso da terra que ocasionariam o abandono de terras em áreas menos favoráveis a atividades agropecuárias, deixando-as disponíveis para replantio e regeneração da cobertura florestal. A diversidade de fatores envolvidos na transição florestal inclui uma complexa teia de interações institucionais, sociais, biológicas, culturais e físicas. O objetivo deste trabalho é apresentar evidências de transição florestal em áreas do estado de São Paulo, identificando fatores sociais e biofísicos relacionados à recuperação da área de mata nativa em diferentes escalas espaciais e discutindo a aplicabilidade da Teoria da Transição Florestal. Foram utilizados levantamentos de dados existentes na literatura, técnicas de geoprocessamento baseadas em classificação de imagens de satélite em média e alta resolução, questionários aplicados em propriedades rurais em uma amostra de municípios, entrevistas semiestruturadas e observação direta. Os resultados permitiram concluir que há evidências de uma transição florestal em São Paulo e contextualizar as trajetórias da variação da cobertura de mata nativa nos níveis analíticos frente aos cenários mais amplos da economia, política e ambientalismo no Brasil. Crises e estagnação econômica, num período em que o desenvolvimento sustentável passou a fazer parte do discurso político em diferentes setores da sociedade, parecem ter contribuído para a transição florestal na década de 1990. A observação da trajetória da cobertura florestal nos municípios estudados leva a questionar o futuro dessa transição se nos pautarmos apenas na tese de que o desenvolvimento econômico se encarregará de impulsioná-la. A redução do desmatamento e o aumento da cobertura florestal nas áreas estudadas não é motivada primariamente pelo desenvolvimento econômico ou pela escassez de produtos florestais, mas principalmente pela falha dos sistemas de produção em garantir os modos de vida da população rural. As vias explicativas mais satisfatórias para compreender os processos observados relacionam-se às políticas públicas florestais e à globalização dos mercados e da informação. São discutidos mecanismos de estímulo ao aumento da cobertura florestal que atendam ao desenvolvimento econômico e social de pequenos, médios e grandes proprietários rurais aliado à conservação ambiental.

Palavras Chave: Proteção ambiental – São Paulo (Estado) Reflorestamento – São Paulo (Estado) Floresta – Restauração Proprietários de terras Mata Atlântica