Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais

Entre a Monocultura e a Diversidade: Alternativas para o Desenvolvimento Rural da Região de Tomé-Açu, Pará

Autor(a): Ana Claudia Rocha Braga
Orientador(a): Célia Regina Tomiko Futemma
Coorientador: Aline Vieira de Carvalho
Data de defesa: 31/03/2017
Banca:

Célia Regina Tomiko Futemma (Presidente)

Jansle Vieira Rocha

Alfredo KingoOyamaHomma

Rosângela Calado da Costa

Alexandre Uezu

 

Ao meio rural cabe, hoje, resolver um dos maiores desafios da humanidade: produzir alimento, biocombustíveis e fibras conservando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Para alcançar tal desafio é necessário um novo entendimento sobre os agrossistemas, que integre aspectos econômicos, sociais e ambientais em múltiplas escalas espaciais e temporais. O arcabouço conceitual da resiliência tem sido empregado com sucesso nestas situações. Em agrossistemas a resiliência está fortemente relacionada às opções de manejo em uma unidade produtiva (UP), que por sua vez são fortemente influenciadas pela percepção do agricultor frente às oportunidades e desafios decorrentes das pressões econômicas, sociais, políticas e ambientais de diferentes escalas. O objetivo central desse estudo foi entender quais características das UPs lhes conferem maior resiliência, com foco na influência dos capitais social, humano e natural. Avaliou-se em particular os efeitos das diferentes ações de assistência técnica e extensão rural (ATER) coexistentes na região (organizações públicas, privadas e da sociedade civil), bem como as modificações nos sistemas produtivos de UPs parceiras do setor privado para a produção de dendê; além das características internas das UPs que delineiam sua dinâmica, bem como suas relações com as demais escalas. Para tal foi selecionada como área de estudo a região de Tomé-Açu – PA, por ser foco do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) e possuir particular histórico regional. Assim, foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com agricultores, técnicos e funcionários de empresas plantadoras de dendezeiro, poder público local, pesquisadores e agentes de ATER. Ademais, foi feito um levantamento bibliográfico e visitas a campo, que serviram de base para a elaboração do histórico regional, croquis das propriedades, além da identificação de períodos de mudanças de uso e cobertura do solo nas UPs. Os resultados apontam que os capitais social e humano são extremamente influentes na resiliência dos agrossistemas, por conferirem maior capacidade adaptativa e de transformação frente às pressões provenientes das diferentes escalas. As ações de ATER têm alinhamento semelhante ao modelo produtivista, contudo, o foco dado à agricultura familiar lhes confere um papel promissor. Todas as UPs apresentam grande dinâmica em suas trajetórias, que podem ou não ser precedidas de crises. Duas estratégias se apresentam como forma das UPs de retomar ou fortalecer sua produção agrícola: uma exógena, baseada na monocultura do dendezeiro, em associação com empresas do setor de biodiesel; outra, endógena, baseada na implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), com elevada diversidade, e construída a partir de experiências regionais prévias. Ambas as estratégias se apresentam como alternativas de mudança para os pequenos agricultores, que são mediadas pelos seus respectivos capitais social, humano e natural. Enquanto UPs com longo histórico, optam, em geral, pela estratégia de maior diversidade, através da implantação de SAFs; UPs com solo empobrecido e menor capacidade de investimento, usualmente recorrem às parcerias com o setor privado para implantação de monoculturas de dendezeiro, com forte aporte de insumos externos. As duas estratégias se apresentam como possibilidade de impulsionar a recuperação e fortalecimento de UPs, contudo com resultados potencialmente distintos.

Palavras Chave:

 

 resiliência de agrossistemas, biodiesel, dendê, sistemas agroflorestais, ATER